Como criar uma rede Blockchain

Existem quatro formas básicas de se criar uma Blockchain:

1- Programando, “criando” o código internamente, com tecnologias como JavaScript, Go, Solidity entre outras.

2- Usando a plataforma Ethereum para criar uma Blockchain pública, usando a criptomoeda Ether.

A Ethereum é uma plataforma descentralizada capaz de executar contratos inteligentes e aplicações descentralizadas usando a tecnologia blockchain: são aplicações que funcionam exatamente como foram programadas, sem qualquer possibilidade de censura, fraude ou interferência de terceiros, isso porque o contrato é imutável.

3- Através do projeto Hyperledger para criação de uma Blockchain privada, ou seja interna da organização.


O objetivo princípio do Hyperledger é criar uma plataforma útil, acessível e robusta, onde qualquer indivíduo interessado em construir um software baseado em blockchain poderá utilizá-la como base. Por motivos práticos, o Hyperledger nunca poderá alcançar o ideal de cobrir todos os casos possíveis, mas o objetivo do time é chegar o mais perto disso.

4- Aplicar os conceitos básicos das plataformas e construir um modelo híbrido aplicável ao seu negócio.

Modelo ‘BaaS em Blockchain – Blockchain como Serviço’: Um BaaS provê o backend necessário à elaboração de uma blockchain do negócio da empresa, podendo ser pública, como Bitcoin e Ethereum, ou privadas, também chamadas de DLT (Distributed Ledger Technologies / Tecnologia Distribuída de Livro-razão) como a Hyperledger.

Para o nosso cenário, o projeto Hyperledger é a tecnologia que pode trazer um grande avanço nas relações internas das organizações para tratar diversos assuntos e garantir dessa forma a unicidade e proteção das relações contratuais ou autorais.

Os Principais serviços em nuvens também tem Blockchain

Atualmente os serviços nas nuvens “Cloud Computing” são os geradores de negócios e facilidades para as empresas. As modalidades de serviços mais utilizadas são:

  • Infraestrutura como Serviço – IaaS
    Exemplo de IaaS são hardwares (CPU, Memórias, Discos) prontos para uso 
  • Plataforma como Serviço – PaaS
    Exemplo de PaaS são os serviços de hospedagem para internet, ambiente para serviços
  • Software como Serviço – SaaS
    Exemplo de SaaS são os serviços de e-mail, softwares de CRM e G Suites 
  • Banco de Dados como Serviço – DBaaS
    Exemplo de DbaaS são os bancos de dados nas nuvens prontos para uso.
  • Blockchain como Serviço – BaaS
    Exemplo de BaaS são as redes blockchain em uma plataforma flexível.

Principais provedores de BaaS (Blockchain as a Service)

  • Plataforma IBM Blockchain
  • Blockchain do Microsoft Azure
  • Amazon Blockchain Templates
  • Alibaba Cloud
  • Oracle Blockchain Cloud
  • Baidu Blockchain Open Platform
  • Huawei Blockchain Service

Um exemplo prático da aplicação de uma Blockchain

O nosso exemplo partirá do contexto do universo do “Big Data”, área do conhecimento que estuda como tratar, analisar e obter informações a partir de conjuntos de dados grandes demais para serem analisados por sistemas tradicionais.

Dentro desse contexto do “Big Data” vamos imaginar o universo de um banco digital ou tradicional. Vocês podem imaginar o volume de informações que são transacionadas por dia, por hora e até mesmo por minuto? Posso garantir que o volume é muito grande coisas de petabytes de dados ou algo próximo de 1015 (peta indica a décima quinta potência de 1000) dados. Já deu para ter uma ideia, certo?

Neste volume todo de dados, passando de um lado para o outro, temos todos os dados dos correntistas de um banco com suas identificações, aplicações, valores e endereços circulando. E os chamados dados pessoais, que segundo a GDPR (Lei Geral de Proteção dos Dados da Europa) ou a LGPD (Lei Geral de Proteção dos Dados do Brasil) diz que toda organização pública ou privada deve assegurar o direito à privacidade e anonimidade dos dados pessoais dos seus titulares.

  • “Entretanto, como controlar que, dentro das empresas esses dados terão sua função utilizada  de forma “correta”, ou mesmo que os titulares desses dados tenham suas informações seguras, sem o risco das mesmas serem vazadas para o mercado?“

Momento propício para um exemplo de uso da Blockchain – As empresas, sejam elas diretas (banco, hospital, ….) ou indiretas (consultorias de dados ou big data), poderão utilizar essa tecnologia para criar uma rede de dados compartilhados para garantir o controle do nível de acesso aos dados privados dos titulares, conhecido como “dados sensíveis”, formando assim um “cartório” ou “livro mestre” para armazenarem autorizações ou bloqueio de uso desses dados.

Podemos utilizar a Blockchain para definir pessoas chaves que podem disponibilizar as informações para algum tipo de tratamento ou uso, do todo ou mesmo parte deles, e gerar a rede para controlar o nível de acesso e aprovações, bem como identificarmos quem liberou os acessos para uso e qual a utilização desses, assim como quem utilizou, para quê e como. Dessa forma, em caso de vazamento dessas informações ou exposição desses dados “sensíveis” podemos identificar onde e como a falha ocorreu e resolver a mesma rapidamente, bem como informar aos órgãos responsáveis pelo controle dessas informações antes mesmo de sua exposição e aos titulares. 

No caso do Brasil, o órgão responsável por esse controle é a ANPD (Autoridade Nacional de Proteção de Dados).

Concluindo, a Blockchain é uma tecnologia acessível, bem definida e com segurança para transição de informações e controles. Sua aplicação pode ser vista e enquadrada em diversos cenários e ajudará as organizações na descentralização dos controles, acessibilidade e principalmente na transparência.

Sobre o autor: Ricardo Galiardi é Especialista em Gerenciamento de Projetos de Ciências e Engenharia de Dados na Semantix.
Especializações: DPO | Big Data | Engenheiro Machine Learning | Blockchain | Engenheiro de Dados | Governança de Dados
LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/rgaliardi/

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